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quarta-feira, 20 de abril de 2011

DEPRÊ x esteira
Não tem gosto, é absolutamente insípido. É a perda de referências, da graça por qualquer coisa, do sentido. Não há prazer, simplesmente perdeu-se. Por instinto de sobrevivência arrastei-me até a esteira e em 25 minutos a endorfina sinalizou uma esperança. É orgânico assim, embora possa ter origem na alma.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Ao entardecer

Ao entardecer

Final de tarde e visito seu João. Penso antes em encontrá-lo convalescente dado o tratamento quimioterápico. A minha surpresa entretanto ocorre logo na entrada da casa. Seu João regando uma nova pequena árvore que plantou hoje.

E dentro de casa mais uma surpresa: dona Eliza reclamando que a quimioterapia deve ter em sua fórmula água de chocalho. Mais do que nunca aquelas muitas memórias do homem de 81 anos afloram numa boca que só pára quando dorme. Outro dia, já impaciente com a surdez de dona Eliza resolveu contar pra si mesmo as estórias de seu pai e do sertão. Riu muito com as lembranças enquanto dona Eliza já desconfiava que o tratamento tinha efeito colateral na cabeça.

Mas acalmou sua velha. Não, não caducava. É que na solidão lhe restava a memória e não seria por falta de interlocutor que iria deixar de falar, revisitar o tempo que o corpo acompanhava sua inquietude e vontade de viver.

Uma árvore, um velho, suas memórias, risos destemporâneos. Um bom entardecer.